CRÔNICA 2: A AVENTURA E A FALSIDADE!
A AVENTURA
Uma vida de aventuras girava em torno de Endler. Foi um jovem extremamanete ativo e intereçado por aventuras mil. Mateiro, sempre com muitos amigos, cresceu nesse ambiente de atividades campeiras, acampamentos, sobrevivência, selva, ainda que vivendo sempre na cidade, amava os animais e o ambiente rural.
Passada sua infância e adolescência, Endler se envolve com grupos que realizavam atividades de campo, dando vazão àquela ansia de levar a outros jovens o conhecimento da natureza, a disciplina em lidar com a selva, trazendo estes ensinamentos para a vida pessoal de cada um.
Endler desenvolveu seus conhecimentos através da vivência na natureza, como também através de treinamentos, cursos, formação técnica e participação em atividades internacionais onde construiu um cabedau de conhecimentos práticos e teóricos que lhe conferiram uma capacidade muito grande de liderança pelo know-how, pela experiência, e pelo respeito adquirido de seus pares.
Esse know-how e reconhecimento geral lhe possibilitou chegar a liderança de equipes de jovens que buscavam esse mesmo conhecimento e vivência. Jovens que viam nele um líder e o seguiam nestas atividades, bem como adultos, pais, dirigentes destes grupos que confiavam à Endler a segurança de seus próprios filhos.
Foram anos de realizações, conquistas, resultados não só para os grupos liderados diretamente por Endler, mas toda equipe envolvida nas atividades desenvolvidas, muitas vezes criadas por ele e outros líderes destes grupos. Centenas de jovens formados, que tornaram-se cidadãos ativos e participativos em suas comunidades.
Em meio a esse ambiente, fraterno e de muitos amigos e parceiros, Endler viveu desde a tenra idade, transmitindo estes conhecimentos e convivendo com muita gente neste mesmo ambiente.
Estes grupos eram formados por pessoas que viam a vida de forma muito caracterísitca, muito particular, ligados a um ambiente fraterno de muita amizade e respeito entre seus membros.
Endler ao longo do tempo, dirigia com muitos parceiros próximos um destes grupos e sob sua liderança direta estavam jovens adolescentes, que era a sua especialidade, em vistas da formação e treinamento adquirido ao longo de muitos anos.
Os jovens e a equipe de líderes formavam um grupo consiso, próximo e muito integrado, característica da idade daqueles jovens em sua juventude e o desabraxar da necessidade de conquistas que a idade trás. Faziam semanalmente encontros muito alegres e produtivos, o que fazia o grupo crescer e se representar cada vez mais significativo na vida dos que dele participavam.
Um destes jovens em especial, Mathew, era muito próximo, quase um "protégé" de Endler, seu orientado e um braço direito da liderança do grupo junto aos jovens. Mathew e Endler faziam uma parceria muito legal na operação das atividades do grupo. Era um jovem muito atuante, disposto, interessado em tudo. Mas por outro lado era um jovem problemático, um estudante complicado, com problemas familiares, dificuldades de relacionamento bastante complexos, com histórico inclusive de agressão física à familiares, pais separados, um pai bastante problemático, de certa forma um fracassado até, enfim. Esse era um desafio relevantíssimo que Endler enfrentava com a orientação pessoal desse jovem em especial, mas que Endler, havia conseguido trazer para sua confiança e vinha alcançando progressos significativos, pois de fato, ambos tinham um ótimo relacionamento e se queriam muito bem.
Endler também era muito atuante junto a administração da entidade que cordenava estes grupos de jovens, que eram vinvulados a uma organização que atuava em todo planeta. Nessa Unidade, neste grupo de atividades, Endler exercia bastante influência, justamente pela experiência adquirida em funções exercidas por ele ao longo de sua vida. Inclusive na direção nacional da própria organização que gerenciava estes grupos. Naquele momento, todos, TODOS os membros da diretoria da unidade em que o grupo de jovens que Endler liderava, eram "pais e mães" de crianças e jovens que haviam passado pelos grupos liderados por Endler e sua companheira, Kristen, que também era líder de jovens ainda mais novos. Era inclusive um grupo de amigos bastante próximos que tocavam juntos o desenvolvimento daquela unidade.
As atividades seguiam de forma exemplar. A unidade na qual participavam era uma das mais importantes e relevantes na comunidade na qual estavam inseridos. Tudo ia às mil maravilhas e os resultados alcançados na formação de jovens e cidadãos eram valorosos para sociedade, isso era uma realidade. Em um determinado dia porém, essa realidade mostrou-se não tão estável...
O grupo de Endler decidiu fazer uma atividade de campo, com a participação dos pais dos jovens inclusive. Era uma atividade com determinado nível de radicalidade, com longas caminhadas, através de montanhas e terrenos acidentados. Uma atividade ao ar livre, sob sol escaldante, que poderia causar ensolação, cansaço extremo e exaustão, razão pela qual foi dada opção de participação dos pais ou qualquer membro do grupo que não se sentisse apto a isso.
A atividade consistia em uma jornada a pé por montanhas litorâneas através de uma trilha campestre e bucólica, até uma praia distante, sem acesso por estradas, exceto por trilhas à pé ou por mar. Para chegada na praia porém, era necessário descer montanha abaixo por uma trilha sinuosa pelo costão. Uma descida difícil onde o cuidado era extremo, principalmente considerando-se que o grupo já vinha de uma caminhada de mais de duas horas sob o sol.
Nessa atividade, Mathew que era um dos mais velhos do grupo, e extremamente hábil neste tipo de atividade, seguia à frente do grupo, indicando o melhor caminho, o mais seguro e mais adequado para o grupo. Já Endler, seguia atrás, com outros líderes, assegurando que todo o grupo estivesse presente, mas Endler como líder de toda a equipe, ia e vinha conforme a necessidade de atender às necessidades do grupo, sempre deixando um responsável pelo fechamento da fila de participantes. Por coincidência, uma das mães que participava da caminhada, era justamente a mãe de Mathew, que mantinha um passo mais lento que os jovens mais hábeis obviamente, mas acompanhada por outros pais e jovens que imprimiam um ritmo mais lento também.
Justamente pela habilidade de alguns jovens já mais acostumados com este tipo de atividade, o grupo da dianteira, encabeçado por Mathew se distanciou demais da retaguarda, o que fez com que Endler acelerasse o passo para alcançá-los a fim de reunir todo o grupo novamente, por segurança. Sempre deixando outro responsável pelo fechamento e atenção aos retardatários. O grupo já mostrava sinais de muito cansaço, mesmo os mais hábeis, pois era realmente uma longa caminhada, e aquela descida final até a praia era um desafio significante.
Endler naquele intento de alcançar os jovens da dianteira, até porque eram jovens sob sua responsabilidade, ainda que Mathew lá estivesse, mas de qualquer forma não era maior de idade, não era o "responsável" legal por aqueles demais jovens, portanto essa tarefa era mesmo de Endler, que alcançou aos demais como era necessário. Durante a descida, a mãe de Mathew que já estava bastante esgotada, e indiscutivelmente não preparada para uma atividade daquele tipo, porém havia se disponibilizado a participar, mesmo sob a orientação de que era uma longa jornada, praticamente não aguentava mais andar, e seguia um ritmo bastante lento, porém acompanhada de outros jovens e adultos em melhor condição. Na descida porém, exausta, acabou por tropessar, ou precisar de apoio por qualquer razão, a fim de terminar a descida. O que aconteceu sem maiores problemas, além do cansaço obviamente.
Na praia, eles passariam um par de horas, refrescando-se na lagoa que também havia por lá, no mar, e onde inclusive fariam seu almoço, para somente depois, já descançados, retornarem por outro lado da trilha que levava de volta ao campo onde estavam acampados.
Porém, momentos depois da chegada de Endler na praia onde esta o primeiro grupo já descançando, chega o grupo retardatário, e praticamente carregando a mãe de Mathew que estava visualmente exausta, e teria quase se acidentado na descida. Mathew fica transtornado com a cena, questionando por que Endler não havia ficado lá atrás dando apoio, mas isso aos gritos, completamente fora de si. Endler que via aquilo de forma muito estranha, visto que não havia acontecido nada de mais grave, fraturas, nem mesmo arranhões na mãe de Mathew, exceto o cansaço que realmente era extremo, tentava em um primeiro momento acalmar Mathew que estava absolutamente fora de si. Porém sem sucesso, e com todos os demais jovens ao redor já assustados com a gritaria de Mathew, Endler determina de forma enérgica e dura até, por três ou quatro vezes que Mathew cale-se! O que não acontecia, até que Mathew, completamente fora de si desfere um soco no rosto de Endler!
A atitude provoca necessariamente o fim do extresse de Mathew que se assusta com a própria atitude, e seguramente fica com medo da reação de Endler, que apesar de ser mais baixo que Mathew, era mais forte e mais determinado. A mãe de Mathew assistia a tudo ao lado e estava da mesma forma assustada, mas conhecendo o histórico do filho sabia que não era a primeira vez que ele agia assim. Porém Endler, com muita experiência de vida e sabedor de que não poderia jamais agredir um jovem do grupo, ou qualquer outra pessoa que fosse, estava furioso, mas contendo-se, apenas informa a Mathew que ele seria sumariamente desligado do grupo no retorno da atividade, e que não estava mais na lideraça de sua equipe, não podendo mais participar das atividades, nem ali onde estavam e nem mais no grupo. Mathew ainda tentou argumentar dizendo que Endler teria errado em "abandonar" a sua mãe na trilha, que teria confiado os cuidados da mãe a ele, mas Endler pôs fim a conversa, simplesmente dizendo que não era responsável pelos adultos na atividade, que havia informado que era uma trilha cansativa, mas que mesmo assim a mãe de Mathew teve o apoio necessário, que não estava só, nem muito menos teria sido abandonada por ninguém, porém que ainda que tivesse sido, era adulta e Endler precisava sim dar atenção aos demais jovens que justamente por irresponsabilidade de Mathew haviam se distanciado demais do segundo grupo e cabia a ele, Endler, garantir que estivessem todos bem. Que nada disso dava o direito a Mathew, nem de exaltar-se da forma como havia se exaltado com seu líder na atividade, seu orientador, seu amigo até, muito menos agredir fisicamente outra pessoa.
Foi um clima tenso, que estragou completamente todo o resto da atividade. Mais tarde a mãe de Mathew foi pedir desculpas pela atitude do filho, dizendo inclusive que ele já havia agredido ao avô daquela forma, e que sentia muito pelo fato, defendendo o jovem, dizendo que o havia repreendido e reconhecendo que ele não poderia jamais ter partido para as vias de fato. Que fora um episódio lamentável e que sentia muito. No entanto era tarde demais. Não haveria outra forma se não proceder com a expulsão de Mathew.
A FALSIDADE
Já de volta à sede do grupo, Endler faz o relato dos fatos aos seus pares, membros da Diretoria da unidade, informando tudo como aconteceu, exatamente como relatado acima e informando que Mathew foi excluído do grupo e que era uma decisão terminativa. A presidência da unidade era exercida naquele momento por Mr. Apolo, um pai de família, um cidadão honrado, um grande amigo de Endler e acima de tudo um homem justo, correto. Todos ficaram perplexos e estarrecidos com o acontecido. Sem dúvida um fato inusitado que teria, bem ou mal, um desencadeamento nada favorável.
De qualquer forma, não havia, na cabeça de Endler, qualquer outra possibilidade, em razão da agressão recebida, justamente de um dos jovens liderados, e justamente porque ele Endler, estava cumprindo a sua tarefa, que era assegurar a segurança dos jovens sob sua atenção, ainda que sem deixar de dar os devidos cuidados a todos que participaram da atividade. Era inevitável aquele resultado, ou seja, a explusão sumária de Mathew, por mais que isso doesse até mesmo em Endler, que nutria pelo jovem, um carinho especial, mas que daquele momento em diante, não seria mais possível a convivência mútua.
O assunto provocou reações imediatas na Unidade, havendo necessidade de realização de diversas reuniões com toda diretoria, pais envolvidos, enfim, era um conflito grave. O pai de Mathew, era um sujeito tosco, rude, e nem mesmo tinha uma relação muito próxima com ele, visto que já não vivia mais com a família devido a separação do casal. Mathew vivia com a mãe e o avô. Porém o pai do rapaz que era um prestador de serviços da Unidade, e bem ou mal era presente nas atividades, na intenção inclusive de estar mais próximo a Mathew, tomou para si "as dores" do caso, e determinou a mãe de Mathew, que estava presente lá no momento da agressão, que não se manifestasse mais a respeito da situação, pois ele assumiria a questão dali para frente, e ela, possivelmente amedrontada e na intenção de ajudar ao jovem, submeteu-se àquela determinação estapafurdia e não mais falou sobre o assunto sem a autorização do ex-marido, pai do menino. Este por sua vez, passou a minar a diretoria solicitando uma reunião fechada entre ele, pai do jovem e a Diretoria da Unidade, mas sem a presença de Endler, que era um dos líderes da Unidade, vítima da agressão física, e diretamente envolvido no caso.
Endler ficou furioso quando soube que o Sr. Apolo tencionava fazer essa reunião sem a presença de Endler, que imediatemente externou sua indignação por esta atitude descabida, visto que ele, Endler foi o agredido, que tomou um soco na fase, não reagiu de volta, e exerceu exclusivamente o seu direito de expulsar o jovem do grupo. E advertiu ao Sr. Apolo de que esta reunião precisava ser feita, e deveria ser feita o quanto antes, porém jamais sem a sua presença! Que se isso acontecesse, ele se afastaria das atividades do grupo peremptoriamente, pois enquanto vítima daquela agressão, não se colocaria sujeito a dar voz oculta ao agressor, sem que possa se fazer presente e contrapor mentiras. Pois que a reunião ocorresse na presença de todos os envolvidos. Nada mais justo.
Sr. Apolo no entanto, defendia que assim como ouviu a Endler, deveria ouvir ao pai do jovem em separado, esquecendo-se de que ouviu a Endler pois este era um dos líderes da Unidade, responsável pela atividade e "vítima" da agressão, não o algós, não quem provocou os fatos, mas o agredido. Sempre lembrando que àquelas alturas já se sabia que o jovem era reincidente naquele tipo de atitude e conhecidamente um jovem problemático, vindo de uma família desajustada, cujo pai inclusive devia valores à Unidade e pagava através de serviços prestados. Ou seja, claramente razões suficientes para que Endler estive presente, dando direito ao pai do jovem de se manifestar, e ao próprio Mathew inclusive de contar sua versão dos fatos, porém diante de todos os envolvidos, principalmente, "da vítima"!
Essa atitude deixou Endler realmente desapontado, ao que voltou a afirmar que abandonaria as atividades da Unidade, caso essa postura de ouvir ao pai do jovem isoladamente fosse levada a cabo. Dias se passaram até que chega o dia da próxima reunião das atividades da Unidade, que aconteciam uma vez por semana. Até ali, Sr. Apolo havia assegurado a Endler, ainda que contrariado, de que não faria nenhuma reunião sem sua presença. As atividades do dia aconteciam normalmente até um determinado momento em que Endler vai até a sala da Diretoria da Unidade e quando abre a porta, pois era um dos líderes da Unidade e sua circulação era livre a qualquer momento, e vê toda a Diretoria, as escusas, em reunião com o pai de Mathew, sem que tivesse sido informado da mesma. Em um ato simbólico, Endler para à porta, olha individualmente para cada um dos participantes, e sem dizer uma única palavra, fecha a porta e sai, deixando-os ali sem qualquer comentário. Sobe até o local de suas atividades com os jovens sob sua responsabilidade, comunica que está se afastando das atividades e vai embora sem nunca mais retornar à Unidade.
De acordo com conversas aleatórias havidas depois daquele episódio, é fato que o jovem fora realmente afastado da Unidade, porém sem processo de expulsão, pois era inegável que havia ultrapassado quaisquer limites aceitáveis. Mas o que chateou demais a Endler foi a falta de lealdade e compromisso da Diretoria da Unidade, principalmente do Presidente, Sr. Apolo, que era, até aquele momento um grande amigo de Endler, que lhe teria apoiado inclusive para assumir a presidência da Unidade, sempre cooperado na formação de sua filha que era uma jovem do grupo, e até teria indicado Sr. Apolo para outras entidades onde Endler fazia parte e dependiam de indicação explícita. Ou seja, eram próximos e depois daquele episódio, a relação entre eles nunca mais voltou a ser igual. A Unidade também acabou por perder a participação tanto de Endler quanto de sua esposa mais adiante, e por fim perderam todos, com a atitude tomada pelo Sr. Apolo. Hoje, ironicamente, daquele grupo, só se encontram presentes na Unidade, um antigo presidente que havia deixado a presidência por apropriação indevidada de valores da Unidade e mais nenhum membro nem da antiga Diretoria, como vários líderes de equipes da época. Por graça divina, outros assumiram com o tempo a Unidade que continua a realizar um lindo trabalho junto aos jovens daquela comnunidade.
É triste como pequenas ações equivocadas, falhas, e torpes, ainda que pensadas, mas com bases completamente errôneas e sem pensar nas consequências, podem gerar danos irreparáveis, muito além das espectativas, jogando fora um trabalho de anos, quase de uma existência. Ações que não levam em conta décadas de dedicação de uns, para satisfazer a vontade vazia e torpe de outros, que possam, ainda que superficialmente apenas, parecer justas. Achando que faz justiça ao rebanho, chutando a ovelha desgarrada enquanto o lobo está à espreita.
É triste quando todo o apoio dado por uns à aquele que precisava realmente de ajuda, e este, impensadamente, em um impulso momentâneo, joga tudo para o alto para satisfazer seu ego e acalmar seu descontrole pessoal.
É triste, e mais ainda lamentável, que mesmo o prejuízo causado, não traga luz às trevas em que habita o pretendente a sábio, que se alimenta de orgulho e que mesmo sob todos os indícios de sua insasatez, não reconhece a falha e permanece impávido, seguro e tolo!
Esta história termina triste, longe do "happy ever after" esperado, onde todos, absolutamente todos perderam. Mas os ensinamentos seguramente permanecerão nas mentes dos seus protagonistas para toda uma existência. Esperemos que sirvam de aprendizado e alerta para gerações futuras.
THE END
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CRÔNICA 1: AS ESCOLHAS DE CHRISTIAN!
Nota do Autor: O caso a seguir é uma história
fictícia, baseada em fatos reais, mas sem responsabilidade de externar os
mesmos resultados ou conclusões. Os nomes referidos no texto a seguir não
passam de figuras criadas para humanizar o personagem. Qualquer semelhança com
a realidade não passa de mera coincidência.
QUEM ERA
CHRISTIAN
Christian
era um jovem destemido e abnegado pelas coisas em que acreditava, chegando as
vezes até a inconsequência; porém focado e de bom caráter, além de independente
e ciente da responsabilidade de seus atos. Um apaixonado inundado de boas intenções.
Desde cedo
na infância participava de aventuras entre amigos, criando atividades,
brincadeiras, buscando conhecimento e crescimento. Naquela época, lá no século
passado, não havia com a intensidade de hoje em dia, os jogos eletrônicos e nem
mesmo Internet, então as atividades ao ar livre eram as mais aventureiras.
Era um
jovem de boa família, com criação Cristã, bem educado e muito certo de suas
convicções. Cresceu nesse ambiente familiar, com muitos amigos e bons
relacionamentos. Já mais crescido acabou por interessar-se pela vida de
empreendedor, com conhecimento dos instrumentos legais do dia a dia. Conhecedor
das leis e a vontade na interpretação e trilha pelos caminhos das regras e
normas era um líder nas empreitadas em que entrava. Criativo, proativo, mas
consequentemente com certo autoritarismo, a fim de fazer as coisas acontecerem
conforme planejava. Ainda que normalmente acertadas, suas posturas lhe criavam
muitos entraves e inimizades. Mas ele convivia com isso normalmente.
Christian
se relacionava com muita gente, muitos superficialmente, outros com mais
profundidade, mas circulava em qualquer tipo de ambiente com certa habilidade
e, certa vez recebeu um convite o qual sempre teve interesse e curiosidade.
Amigos muito próximos, mais velhos e experientes, o Mestre e o Richvaldo, chamaram-no
para compor um seleto grupo de homens que gerenciam negócios por todo mundo, os
Montanheses, fazendo alusão aos Cabritos Montanheses que subiam altas montanhas
em busca de alimento e sobrevivência. Christian via isso como uma oportunidade
de realizar obras e abrir caminhos para o aprendizado, relacionamentos,
crescimento pessoal, mas com “poder” de realização. Além de estar muito
familiarizado com o ideal daqueles homens, justamente em função das atividades
aventureiras e formação familiar que teve.
Naquela
época Christian vivia no interior e estava saindo da cidadezinha em que vivia
para ir para cidade grande, muito distante daquela realidade onde vivia, e
acabou por abrir mão do convite dos amigos e buscar antes de mais nada o
encaminhamento de sua vida que tomava outro rumo. Somente cinco anos depois de
sua partida, sempre mantendo contato com os velhos amigos, mas já estabelecido
em um grande centro ele retomou a ideia, pois já conhecia outros membros daquele
grupo e acabou por fim sendo aceito como membro dos tais: Montanheses.
Os
Montanheses reuniam-se em pequenas unidades funcionais espalhadas por todos os
lugares, sem nenhuma remuneração nem contrapartida pecuniária, apenas altruísta
e na busca de um mundo melhor. A vida dos Montanheses era interessante, porque
reunia pessoas que, em tese, pensavam e agiam na mesma linha, da mesma forma.
Em tese... sim eles têm bons princípios, mas o homem é um ser muito suscetível
a vaidade e ao poder.
Cada uma
destas unidades funcionais tinha sua liderança, da mesma forma que a política
nacional, baseada na democracia e sucessão periódica de seus líderes. Christian
como qualquer outro no grupo tinha vontade de por em prática suas ideias,
estando à frente de sua unidade, o que estava a caminho de acontecer de forma
natural. Era uma normativa sequencial frequente e que dentre amigos, agora após
anos de convivência comum, dentre parceiros de negócios constantes, isso não deveria
ser um problema. Mas não era bem assim...
A Unidade Montanhês
Paraibana a que Christian fazia parte era uma unidade conhecida por todos na
região, muito antiga e composta de membros já com mais idade, e por esta razão
já não era mais muito proativa e atuante na comunidade. Não por falha ou erro,
mas por uma questão natural! Fora outrora pujante e muito presente na vida das
pessoas, mas os anos não param e o grupo não havia se renovado nas últimas
décadas, sendo Christian o mais jovem membro do grupo, e sozinho dentre tantos
outros de outra geração.
Christian
ao longo dos anos aprendendo muito com seus parceiros da Unidade era atuante,
interessado e presente e vinha galgando funções e postos de trabalho, assim
como, trazia para o grupo novos membros do seu círculo de amizades e
conhecimento, visto que tinha muitos relacionamentos pessoais. Ao longo dos
anos estes convidados passaram a trazer seus conhecidos e assim por diante, até
que o grupo havia por fim se renovado. Porém aqueles antigos membros do grupo,
ainda eram relutantes e avessos a novas políticas, sépticos à novas ideias e reticentes
a novas ações, e sem qualquer justificativa plausível, ainda que já em menor
número, continuavam ditando as regras internas do grupo. Mesmo que sem qualquer
respaldo normativo formal, era assim apenas porque era assim!
Isso
incomodava muito a Christian que não se conformava com aquilo, justamente
porque era conhecedor de fatores legais, formais por sua própria experiência,
mas também pela responsabilidade em ter trazido para junto do grupo, amigos e
conhecidos sob a promessa de fazerem parte de um grupo seleto de homens que
podiam, através de seus atos, mudar o mundo, crescer espiritualmente,
influenciar a sociedade etc. O que não fazia por acontecer, pois eram cerceadas
as possibilidades de fazer suas ideias prosperarem. Da mesma forma os demais
membros do grupo vinham se tornando inquietos àquelas posturas.
O DIÁRIO
Os ânimos
já vinham se alterando ao longo do tempo dentre os dois grupos que acabaram se
formando dentro a Unidade Montanhês Paraibana, tendo como artífice maior o próprio
Christian que pelas suas posturas firmes enfrentava, muitas vezes em nome de
todos, os demais membros mais antigos. Em uma dessas ocasiões houve um grande
embate entre Christian e um daqueles parceiros, talvez o decano do grupo, Fritz
Krieg, por quem Christian tinha o maior respeito e admiração, sendo dentre
todos os mais jovens, o único mais próximo inclusive desse parceiro, já de
idade avançada. Christian conversava muito com Fritz Krieg que lhe contava
histórias de sua vida, momentos históricos do próprio grupo e de tudo que viveu
em sua longa existência. Certo dia, Fritz Krieg entregou sem que Christian tivesse
pedido, um livro pessoal, uma espécie de diário da vida de Fritz Krieg, retratando
toda sua história de vinda para o Brasil, visto que era nascido fora do país. Pediu
para que Christian não mostrasse a ninguém aquele material e que o estava entregando,
justamente em razão de todas as conversas que tinham ao longo de tantos anos. Fritz
Krieg era um defensor de muitas das posturas de Christian inclusive tendo-o
feito elogios públicos em algumas ocasiões. Christian, agradecido e honrado
pela deferência, pegou o diário e disse que leria com entusiasmo e assim que terminasse
a leitura, o devolveria prontamente, sem passar a ninguém mais. Semanas se
passaram, e Fritz Krieg já na semana seguinte perguntava a Christian se já
havia lido, e Christian respondia que estava em leitura, visto que não haviam
acertado nenhuma data ou pressa na leitura. Passado um mês, minutos antes do
início do encontro semanal, Fritz Krieg literalmente empareda Christian em um
canto da sala, em frente a todos e com o “dedo in riste” em sua face grita com
ele repentinamente exigindo a devolução do diário! Que o fizesse IMEDIATAMENTE!
Assustado, e até envergonhado com a cena, Christian que não era passivo como já
mencionado, responde àquela atitude de forma muito firme dizendo que não tinha
o diário em mãos e que não iria busca-lo naquele momento, prestes ao encontro
começar, mas que na primeira hora da manhã seguinte entregaria o diário em sua
casa, mesmo não tendo finalizado a leitura. Mas enfrentando a agressão com veemência.
Fritz Krieg vira as costas, sai do local e nunca mais retorna às reuniões...
A ação, por
completo desconhecimento dos demais, visto que não faziam ideia de que Christian
havia recebido o diário por iniciativa de Fritz Krieg, sem exigência de data
específica para devolução, foi criticada veementemente pelos antigos, contra
Christian por “desrespeitar daquela forma” a um membro tão antigo e respeitado
do grupo. O que não aconteceu, inclusive na resposta dada por Christian a Fritz
Krieg na ocasião, que apesar de veemente, não foi em agressiva, em voz alta nem
nada disso! Christian tendo o dedo em riste de Fritz Krieg na sua face, apenas
olhou firme e disse: “Não tenho o diário aqui em mãos, e não vou buscá-lo
agora. Amanhã na primeira hora estará em sua casa!”, em baixo e bom tom. Mas os
antigos ficaram possessos com Christian e dali para adiante o clima ficou bastante
tenso.
No dia
seguinte, conforme prometido, as 8 da manhã, Christian estava no portão da casa
de Fritz Krieg com o diário em mãos. Tocou a campainha e Fritz Krieg veio abrir.
Christian não disse uma palavra, apenas estendeu o diário ao alcance das mãos
de Fritz Krieg, que disse: “Obrigado”! E nunca mais se viram.
Posteriormente
Fritz Krieg e sua esposa mudaram-se para uma casa de repouso, um retiro em
outra cidade, onde anos depois vieram a falecer, mas nunca mais voltaram a se
falar. Uma pena, era um bom homem que deixou saudades.
O TIRO SAIU
PELA CULATRA
Ao longo
dos anos, na busca de mais fazer, mais interagir, Christian foi galgando postos
de liderança na Unidade Funcional, e entrou na linha de sucessão natural para 1ª.
Liderança da Unidade. Na época quem liderava o grupo era um parceiro muito
próximo à Christian, mas mais antigo que ele, e muito parceiro, o Professor Isaac
Boarder, em vista de Christian ser seu imediato à frente da Unidade. Naturalmente,
Christian seria o próximo na sucessão, no entanto, havia um parceiro bastante
mais antigo, o Doutor Homer Spain, que nunca havia comandado o grupo por falta
de interesse pessoal e era talvez o principal crítico das posturas de
Christian. Doutor Homer Spain era uma pessoa retrograda, prolixa, sem graça, um
homem que não sabia contar uma piada bem contada, pois não combinava com ele,
um sujeito de poucos atrativos e tido como intelectual, em vista de uma cultura
relativa, haja vista que sequer havia saído do país uma vez sequer, mas era um
escritor metido a intelectual e respeitado. Doutor Homer Spain havia se
indisposto com Christian já nos primeiros dias de sua vinda para o grupo quando
em um encontro informal, conversavam sobre diversos assuntos e Christian que já
havia viajado por todas as partes do mundo, falava línguas diversas e no
assunto defendeu a sociedade americana de forma genérica e aquilo foi uma
afronta para o Doutor Homer Spain, que odiava o “imperialismo americano”, sem
nunca ter sequer viajado nem mesmo a turismo, quanto mais a negócios para a
America do Norte. Apesar do encontro informal, causou um stress que restou para
sempre entre ambos.
No final do
mandato do Prof. Isaac Boarder, o Dr. Homer Spain lhe havia informado que
pretendia concorrer a sucessão. Na verdade sua sucessão seria resultado de uma
decisão do “grupo dos antigos”, naquele contexto de que os antigos tomavam decisões
"offline" em detrimento dos demais, para impedir a sucessão de
Christian naquele momento, ou até perpetuamente, pois em muitos anos, nunca
havia sido de seu interesse assumir a liderança do grupo, justamente por ser
uma criatura apática, sem graça e insípida.
Em razão do
interesse “repentino” do Dr. Homer Spain de suceder a liderança da Unidade
Funcional Montanhês, em um evento comemorativo em agradecimento ao trabalho
realizado pelo Prof. Isaac Boarder, este pede a palavra e diz estar em uma
encruzilhada, em vista de ter prometido apoio a Christian para sucessão, mas
que reconhecia a validade da intenção do Dr. Homer Spain em suceder-lhe naquele
momento. Não gostaria de manifestar nenhum apoio a fim de evitar indispor-se com
qualquer um dos dois. De imediato Christian vendo aquela situação desconfortável
para toda a Unidade, pede a palavra e diz: “De forma alguma concorreria com Dr.
Homer Spain que tem tantos anos a mais do que eu na Unidade. Eu abro mão da
sucessão neste momento em favor do Dr. Homer Spain”. E assumiu a função na 2ª.
Liderança da Unidade, abrindo caminho ao Dr. Homer Spain, apesar de discordar
completamente de sua forma de agir e pensar, mas respeitando a antiguidade e o respeito
para com que Dr. Homer Spain contava na Unidade, Christian topou ser a 2ª.
Liderança da Unidade e apoiá-lo em seu mandato.
O resultado
foi um absoluto desastre! Gastos idiotas, inatividade, marasmo, incongruências,
e acima de tudo um autoritarismo absurdo, jamais tendo buscado apoio para tomar
decisões, gerenciando a Unidade sozinho (ou em parceria com aquele “grupo de
antigos” por baixo dos panos), deixando Christian à margem absoluta da
administração. Para piorar, a reeleição era permitida por uma vez. Acontece que
a popularidade de Christian seguia crescendo, e o resultado da administração do
Dr. Homer Spain era vazio, além de muito chato! Mas como quem definia a
sucessão por baixo dos panos eram os antigos... Dr. Homer Spain se põe
novamente como candidato.
Christian,
apesar das críticas ao parceiro, não quer atrito e novamente abre mão da
candidatura, porém anuncia que não permaneceria mais na 2ª. Liderança, haja
vista não ter participado de nenhuma forma na administração anterior, e naquele
novo mandato não exerceria a função de 2º. Líder, passando a ser exclusivamente
um membro comum do grupo naquele mandato.
A situação
seguiu do mesmo jeito. Algumas poucas realizações, mas afinal, todos tinham
seus direitos e o importante era que o grupo seguia, ainda que de leve, tocando
seus projetos.
Christian
seguia, no entanto, muito crítico a existência de um poder paralelo na Unidade
por parte dos antigos. Chegavam a fazer reuniões em separado, tomavam decisões
administrativas, e sem a participação dos demais membros do grupo, sem legitimidade
alguma. Essa indignação de todos era crescente, mas muito em especial para
Christian, que era naquele momento, quem mais havia trazido novos membros para
o grupo nos últimos anos.
Mesmo com
esse ambiente, todos tinham como meta, fazer o melhor e seguir trabalhando para
cumprir os objetivos dos fundadores dos Montanheses. Era algo até meio lúdico,
uma meta abstrata, mas algo em que se acreditava. O sacrifício fazia parte.
Já corria a
metade do segundo mandato de Dr. Homer Spain à frente da Unidade, e até onde todos
imaginavam, Christian seria o próximo 1º. Líder, e quando as coisas poderiam começar
a tomar outros rumos. Todos os mais jovens e inclusive alguns dos mais antigos,
mas relegados pelo grupo central estavam esperançosos disso. Como era algo
tomado como certo, em vista de que Dr. Homer Spain não poderia mais se
reeleger, antes da data prevista, Christian inicia um trabalho de montagem de
uma chapa com funções definidas, objetivos traçados, e postos identificados. Foi
convidando os demais parceiros para cada uma das funções, fazendo reuniões
individuais acordando em que consistia cada função. Tudo em parceria com seus
dois imediatos, e mais próximos parceiros, Maurus Apple e Brutus Miler. Em duas
semanas eles já tinham uma chapa composta de 22 parceiros dispostos a trabalhar
juntos por uma nova era.
Acontece
que Dr. Homer Spain não estava parado e esperando isso acontecer. Ele e outros
parceiros antigos como M. Chocolate, Dom Quixote, Dr. Pedrosa, João Perdido entre
outros, tentaram incutir na cabeça de todos que Christian teria abandonado a
linha de sucessão quando abriu mão da 2ª. Liderança no segundo mandato do Dr.
Homer Spain, então quem teria assumido a linha sucessória naquele momento seria
um parceiro muito querido de todos que já havia sido 1º. Líder há vários anos
atrás, Anthony Good que estava se propondo a assumir a Unidade na saída de Dr.
Homer Spain!
Christian
não podia acreditar naquilo! Anthony Good tinha um excelente relacionamento com
Christian, era um parceiro muito querido e Christian não podia acreditar numa
armação daquelas. Com uma chapa fechada com 22 parceiros prontos para
trabalhar, quem eles queriam enganar? Christian reuniu seu time e perguntou: “Vocês
querem fazer isso? Vocês querem mudar o rumo dessa história? Pois se vocês não
quiserem, eu não quero! Ou todos vamos juntos para essa disputa, ou eu não vou!”
Com aceite
de todos, Christian fez uma visita particular a Anthony Good em seu escritório
para saber o que exatamente estava acontecendo. Anthony Good então lhe disse
que era sim uma tentativa de impedirem a eleição de Christian, mas que ele Anthony
Good iria encabeçar a chapa mas que desistiria no dia da eleição, pois ele
também achava que era a vez de Christian assumir. Anthony Good não era uma
pessoa ardilosa ou ruim. Muito longe disso era um ser humano bondoso, justo,
honesto e correto. Não havia razão alguma para Christian duvidar dele. Com isso
Christian manteve a candidatura e decidiu ir para disputa desta vez. Os Antigos
ficaram enfurecidos pois tinham certeza de que Christian não iria para disputa
com Anthony Good, mas se enganaram. Os meses foram passando e quando chegou a
data de registrar as chapas, eles não conseguiram sequer juntar cinco parceiros
para compor uma chapa e concorrer!
Christian
obteve 5 votos em branco (M. Chocolate, Dom Quixote, João Perdido, Dr. Homer
Spain, e o Dead Officer); mas a
totalidade dos demais, inclusive Harvey Dent, Dr. Polandovisky, Anthony Good e
vários outros antigos votaram a seu favor. Mas tiveram uma baixa triste e
inacreditável: Prof. Isaac Boarder que teve um mandato exemplar muito pelo
apoio de Christian os havia abandonado e criticado ficando ao lado dos Antigos.
Mas afastado do grupo há alguns anos, não votava.
A VIRADA
Christian, Maurus
Apple e Brutus Miler venceram as eleições daquele ano e o time realmente era
impecável. Cada parceiro em sua função dava seu melhor para fazer sua pasta funcionar
e fazer diferença. Tinham a responsabilidade de mostrar que aquela disputa
havia valido a pena, afinal de contas foi um racha dentro da Unidade e
precisava funcionar.
Imediatamente,
e sob críticas constantes, Christian pôs fim a autocracia do Grupo dos Antigos,
não levando mais em conta qualquer decisão ilegítima deles, e esta era a
principal razão de tanta resistência, eles sabiam que isso aconteceria. A
partir daquele momento todos os membros parceiros da Unidade tinham o mesmo
peso, todos opinavam e contribuíam para o futuro do grupo, sem distinção de
antigos e novos.
Projetos de
assistência à comunidade foram realizados, reformas nas dependências da sede
onde faziam reuniões, treinamentos, estudos e até festas aconteciam com a
presença de um grupo muito maior de participantes. Visitantes de outras
Unidades, líderes e parceiros de vários lugares voltaram a frequentar a Unidade
Funcional Paraibana que voltou a ser pujante e reconhecida.
A pose de
Christian na 1a. Liderança da Unidade Paraibana contou com a presença de mais
de 100 participantes, incluindo lideranças ilustres dos Montanheses, o que foi
sem dúvida um dos maiores encontros do grupo em décadas, e um grande prestígio
para Christian.
No entanto,
alguns poucos Antigos não se conformavam com aquele sucesso e passaram a fazer
uma oposição ridícula, chegava a ser absurda, com críticas vazias, olhares de
reprovação e até boicotes as atividades do grupo. Dr. Homer Spain mesmo nem
sequer na cerimônia de transferência de cargo esteve presente, e desapareceu
durante todo o mandato de Christian... “o que era uma benção!”, pensava
Christian!
Lamentavelmente
logo no princípio do mandato, o 2o. Líder da Unidade Paraibana, Maurus Apple precisou
renunciar ao cargo pois mudou-se para muito distante em razão de sua profissão;
e foi então que o 3o. Líder, Brutus Miler assumiu a 2a. Liderança e outro
parceiro, Urbano Pigling ascendeu à 3a. Liderança. Estes três administraram a
Unidade Paraibana naquele período de prosperidade e pujança; mas o trabalho de
cada um dos parceiros foi digno de lembrança. Vale lembrar que inclusive
Anthony Good, que os tais Antigos tentaram cooptar para o golpe de impedir a
eleição de Christian teve no mandato deste um cargo importantíssimo, sendo o
orientador legal do grupo! Um grande parceiro ao longo de todo período.
Christian
trouxe de volta parceiros que haviam se afastado do grupo por outras
divergências, deu ingresso a novos membros e realmente mudou o rumo histórico
da Unidade Montanhês Paraibana para sempre.
A REELEIÇÃO
Como era de
costume, havia a possibilidade de reeleição, o que não acontecia sempre, apenas
em situações onde o 1o. Líder tivesse realizado um bom mandato, ou por
interesse pessoal desse e para não gerar disputas, todos apoiavam. No caso de
Christian, ele como fez durante todo mandato, reuniu seus parceiros próximos, o
que era praticamente toda a administração da Unidade e questionou se queriam
sua permanência à frente da Unidade por mais um mandato ou se era melhor
trocarmos a Liderança com apenas um período finalizado, o que ele estaria de
acordo. No entanto ninguém foi contrário a sua permanência e nem mesmo quis mudar
de função, ou deixar de apoiar a administração da Unidade que vinha fazendo um
trabalho excepcionalmente reconhecido e diferenciado. Assim, Christian foi reeleito
para mais um mandato.
O trabalho
continuou nos mesmos padrões, mas a oposição daqueles antigos mais radicais era
desconcertante e realmente fazia mal a todos. Principalmente à Christian, que
apesar de gostar do que vinha realizando, sentia-se mal pela situação. Eles
atrapalhavam bastante, pois apesar de poucos, eram parceiros muito antigos, importantes
para os Montanheses e gente que gozava de respeito e admiração de muita gente,
inclusive do próprio Christian. Isso foi aos poucos minando as relações e
criando problemas internos difíceis de lidar.
Mas os dias
foram passando e o trabalho vinha sendo realizado. A Unidade chegou inclusive a
ser homenageada em um evento grandioso dos Montanheses de toda região e era um
orgulho aos olhos de todos. Isso fazia o trabalho e a persistência valerem a
pena.
O TAPETÃO
O poder é
algo sublime e diabólico ao mesmo tempo!
Christian
àquelas alturas havia diretamente dado ingresso a sete novos parceiros e tutoreado
outros quatro pelo menos, que foram chamados por seus afiliados que como muito
novos à época, não podiam indicar diretamente novos membros para a Unidade. Esse
número era superior a imensa maioria do que os demais parceiros já haviam
indicado em décadas de participação, incluindo muitos dos Antigos. Na verdade,
isso é o que daria a perpetuação da existência do grupo e do trabalho que
realizava em prol da comunidade ao seu redor. E de fato o que deu uma nova cara
à Unidade Paraibana no princípio daquele século. Importante saber que a Unidade
Paraibana fora criada no final do século retrasado, cruzado todo século passado
e seguia firme no século atual.
Havia muita
história envolvida durante mais de 110 anos de existência à época. E Christian
conhecia um bom pedaço dela, visto que foi o último parceiro, até aquela data,
que havia reorganizado a Biblioteca da Unidade nos seus primeiros anos como
membro ativo do grupo e na qual poucos mostravam interesse.
Partindo para
o final do mandato, era comum, ainda que não fosse uma regra, que o 1o. Líder que
finalizava seu mandato, passasse para uma função de valor, mas de menor
importância operacional da unidade, justamente para deixar o novo líder
trabalhar sem pressão. Isso não era sempre dessa forma, mas vinha sendo uma
prática. Mas haviam rumores de uma tentativa de retomada do poder por parte dos
antigos que passaram os dois mandatos de Christian acedendo fogueiras, então
era importante que a linha sucessória fosse feita dando sempre abertura aos
novos de assumirem funções cada vez mais importantes, e assumindo a administração
da Unidade aos poucos. Sucessão, futuro... e não um retrocesso, trazendo novamente
à liderança os mesmos antigos, e nem mesmo os líderes que imediatamente deixassem
os cargos... ou seja, assim como Christian passaria a uma função de menor
relevância, da mesma forma deixar os mais antigos ainda, em funções de apoio e
não funções chave, a fim de buscar o progresso. Esse era o pensamento comum,
até aquele momento.
No entanto,
inesperadamente, Brutus Miler começa a flertar com aqueles antigos sem dividir
suas ideias com seu mais próximo parceiro, ainda como 1o. Líder, Christian, na
intenção de trazê-los para funções chave, mesmo tendo sofrido por todos aqueles
anos junto com Christian, toda a oposição e críticas maldosas que sofreram.
Brutus certamente buscava uma espécie de apaziguamento, a fim de não sofrer da
mesma forma como Christian havia sofrido aquelas interferências, porém o fez
pelas costas, de forma sorrateira e sórdida, fazendo parecer que todo o
trabalho realizado não teria sido válido. Christian não podia crer no que
acontecia, haja vista a proximidade que tinha com seu sucessor, que naturalmente
seria o 2o. Líder naquele momento, sem qualquer discordância de nenhum outro
membro da Unidade Paraibana. Era consenso.
Mas Brutus Miler
na verdade era um sujeito ardiloso e falso, talvez embebedado pela chama do
poder etéreo da função que estava por assumir, e simplesmente virando as costas
a seu padrinho, amigo e parceiro de tantas lutas. Brutus montou seu time sem
qualquer ajuda de Christian, pelo contrário, completamente as escuras, trazendo
antigos para funções de altíssima importância e rendendo-se ao retrocesso.
Aparentemente, numa avaliação sem conhecimento
dos fatos, Christian estaria sofrendo naquele momento o mesmo que teria feito
dois mandatos atrás, criando seu time próprio para substituir o 1o. Líder que
saia da pasta, e impedindo que outro Antigo se perpetuasse no comando da
Unidade. Porém essa hipótese estava longe de ser a verdade! Christian havia
aberto mão da sucessão por dois mandatos, quando estava diretamente na linha sucessória,
em favor de um parceiro que não estava nessa mesma linha de sucessão por
escolha própria; Christian havia consultado a todos se era de interesse de todos
sua ascensão a 1a. Liderança, dizendo inclusive que “ou eram todos, ou não
seria ele” ; Christian havia consultados a todos antes de seguir para
reeleição; Christian havia montado uma chapa completa com vinte e dois
parceiros compondo as funções, e não apenas cinco cargos eletivos; Christian
havia trazido e orientado mais de dez novos parceiros para Unidade; Christian
havia unido o grupo mais do que qualquer outro Líder ao longo dos últimos anos,
inclusive as esposas de cada um que trabalhavam agora juntas nos serviços à
comunidade; e acima de tudo Christian havia administrado a Unidade sempre em
parceria com seu 2o. e 3o. Líder, além de ter sim dado espaço inclusive a
antigos dispostos a colaborar, muitos deles em funções chave, como Anthony
Good, Dr. Polonovisky, e outros. Não havia atritos internos no grupo, não havia
discordâncias de qualquer ordem por parte de Brutus Miler. Foi apenas uma
traição gratuita, repentina, sórdida e fria. Mas fazia parte, infelizmente
assim são as criaturas.
As escondidas
Brutus montou sua chapa sucessória colocando o maior opositor a Christian,
M.Chocolate na Orientação Legal! (haja vista Dr. Homer Spain ter desaparecido –
e retornado apenas no primeiro dia do mandato de Brutus...). Justamente o
articulador da tentativa de golpe lá em anos passados, o maior crítico a quem nada
agradava, nem mesmo um elogio a terceiros, tudo era razão de críticas. Este era
o seu braço direito!
De qualquer
forma, Christian tinha o legado deixado, o sucesso operacional da Unidade, o
reconhecimento público de todo trabalho realizado, e não tinha por que
colocar-se em oposição a quem era seu próprio indicado à sucessão, só porque
este não pensava como ele daquele momento em diante.
O FRACASSO
Christian
seguiu fazendo sua função, apesar da tristeza e da tensão criada pelo
rompimento da amizade por fim das contas com Brutus Miler, haja vista que não
havia mais a mínima condição de continuarem próximos como eram. Mas isso era
parte de suas vidas particulares. Christian havia trazido Brutus para o grupo, suas
famílias eram amigas de toda semana estarem juntos em jantares, encontros
finais de semana, as esposas, os filhos. Christian havia inclusive ajudado
Brutus a viajar em família juntos pela primeira vez ao exterior, inclusive com
empréstimo em dinheiro, eram amigos de verdade... até onde Christian achava!
Fora uma
traição devastadora.
E não fora
por acaso que o mandato de Brutus à frente da Unidade Paraibana foi um
fracasso. Não em termos de coisas erradas, ou falhas, mas por ter sido pobre,
quase que inexistente. Nada de importante foi realizado, as esposas
praticamente pararam de se reunir e ajudar, nenhuma obra, nenhum projeto de
vulto. Não por nada, foi um mono-mandato! Terminado seu primeiro período, ele
não saiu para reeleição e entregou a pasta a seu sucessor. Christian na verdade
havia perdido total interesse, pelo golpe sofrido pelo então amigo, vendo-se
cada vez mais ignorado, mesmo com todo sucesso de seus dois mandatos, vendo a
Unidade ir-se deteriorando, o desinteresse dos parceiros que lhe vinham queixar-se,
o fracasso da tentativa de uma nova “wibe” trazendo os antigos de volta à
administração, os projetos iniciados sendo abandonados, Christian foi perdendo
o interesse pelo grupo.
Com o final
do mandato de Brutus Miler, é eleito o parceiro Urbano Pigling para a 1a.
Liderança, como era esperado. Urbano era um sujeito boa praça, amigo de todos,
um cara legal. Mas não tinha liderança necessária para gerir a Unidade, talvez
por opção até, em vista de que profissionalmente ocupava há muitos anos cargo
de liderança, mas para não entrar em conflitos, talvez tenha se mantido avesso
a embates. E como driblava bem entre todos, tinha um bom coração, seguiu o
trabalho que vinha sendo feito, mas com toda deterioração de projetos iniciados
lá nos mandatos de Christian, não conseguiu obter uma reação imediata. Também
teve um único mandato, mas foi apaziguador e tolerante.
A MUDANÇA
Antes do
final do mandato de Urbano, Christian já não sentia-se bem, pois muitas vezes
precisava calar-se ao ver comentários maldosos sobre o passado recente por
parte daqueles antigos que pareciam não desistir nunca de críticas e fogueiras,
e os demais parceiros para não criar mais polêmicas ficavam quietos, não tomavam
partido, com exceção de poucos. Aquilo minou de maneira muito intensa à
Christian que em determinado momento preferiu pedir seu afastamento e deixou a
Unidade. Urbano até tentou demovê-lo da saída, de maneira bastante formal,
mesmo não sendo necessária em vista da solicitação irredutível de afastamento,
mas pela amizade e boa relação tentou demover Christian do afastamento, mas era
realmente uma decisão tomada.
A Unidade
Montanhês Paraibana hoje em dia segue seu trabalho. Todos os mais relevantes de
seus membros de hoje, foram ou afiliados ou tutoreados de Christian, já
passaram pela 1a. Liderança e fazem parte do futuro daquela Unidade. Alguns
também pediram afastamento, outros lá permanecem. Christian tempos depois
acabou por ingressar em outra Unidade Funcional, depois de ter recebido
convites de outras tantas. Após algum tempo mudou-se de cidade, partindo para
bem distante, onde novamente foi convidado para ingressar em uma Unidade
Montanhês internacional muito pujante e lá permanece até hoje.
A vida é
feita de ciclos. Nestes ciclos as pessoas encontrar encruzilhadas, e fazem
escolhas. Estas escolhas definem quem elas são na verdade. Sempre, sempre há
uma opção! O preço se paga pelo caminho escolhido, mais alto ou mais baixo, mas
sempre haverá um preço e um fardo a ser carregado. Christian fez as escolhas
dele, e não se arrependeu jamais!

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