Este Blog tem o objetivo de por a termo algumas opiniões particulares, que muitas vezes podem nem mesmo ser aplicáveis, mas retratam um pensamento, uma ideia de realidades políticas, gostos particulares, visão da sociedade, opiniões livres sobre questões das mais diversas em todas as áreas. Opiniões de terceiros são bem vindas, mesmo contrárias!
sexta-feira, 17 de julho de 2020
MIGRAR OU IMIGRAR
É bem complexa a questão que envolve a tomada de decisão quanto ao Imigrar para outro país.
Antes de mais nada vamos esclarecer qual a diferença entre MIGRAR e IMIGRAR. O fenômeno da Migração é a simples mudança de moradia de uma cidade para para outra, de um Estado para outro dentro de um país. Se você vive no Estado de Santa Catarina e muda-se para o Estado de São Paulo, por questões de trabalho, família, ou qualquer outra situação, você está Migrando de um Estado para o outro dentro do Brasil. Se você vive fora do Brasil, digamos em Portugal, na região de Alentejo e muda-se para o Algarve, você está Migrando de uma região para outra em Portugal, mesmo não sendo português.
Já IMIGRAR corresponde a mudança de residência entre países. O que carece de autorização legal da autoridade competente naquele novo país para que lhe seja garantida essa condição com todos os direitos de um cidadão daquele país. Na Migração não há carência de autorização, portanto não existe Migração Ilegal (a não ser eventualmente em países totalitários onde o cidadão não seja livre). Na Imigração existe o fenômeno dos Imigrantes Ilegais, o que é um problema de larga escala para muitos países.
Porém, um detalhe é bastante interessante quanto a uma semelhança entre as duas condições: o fato de você ser sempre um "outsider", seja na Migração ou na Imigração. Embora na Migração o fato de um gaúcho mudar-se para o Amazonas por exemplo, onde ele gaúcho será sempre um sulista, vindo de outra região... embora com menor intensividade, menor preconceito, menor aversão por parte dos amazonenses, ou de qualquer região que receba um cidadão de outro Estado, mas de uma forma ou de outra será sempre um 'outsider". Já o Imigrante, este sim será um absoluto "outsider", uma pessoa vinda de outro lugar do mundo. Mesmo adquirindo a cidadania do país em que se encontra, não importa o tempo em que viva neste país, ele será sempre um estrangeiro.
Alguns países lidam melhor com estas questões, países que historicamente recebem refugiados, imigrantes e pessoas vindas de todos os lugares do mundo, países como Estados Unidos, Inglaterra, ou mesmo o Brasil. Mas mais intensamente países europeus e EUA principalmente, sabem lidar com essa miscigenação mais abertamente. No entanto, mesmo nestes países, podem ter certeza de que em um conflito, por mínimo que seja, mas um conflito pessoal entre um cidadão local e um imigrante, seja ele portador de cidadania, naturalizado ou não, a primeira acusação do local será necessariamente: "esse fulano de tal vindo sei lá eu de onde...!" Isto é fato! você será SEMPRE um estrangeiro!
Essa alegação, essa "acusação" é maldosa e absurda. Principalmente porque muitos destes cidadãos, e aí me refiro mormente aos portadores da cidadania local, naturalizados etc, em sua infinita maioria chegam a ser mais patriotas e comprometidos com o país em que residem do que muitos dos cidadãos natos daquele país. São pessoas que vivem muitas vezes quase uma vida inteira nestes países, que saíram de seus países de origem há muitos e muitos anos, décadas, fugidos de guerras, vindos ainda crianças acompanhando os pais transferidos profissionalmente ou por qualquer outra razão e vivem uma vida inteira nestes lugares e muitas vezes são vítimas de preconceito, seja pela cor da pele, formato dos olhos, altura, faces etc., que esboçam claramente que são imigrantes ou filhos de imigrantes.
Essa é uma condição que o Imigrante tem que aprender a conviver. É a condição de uma vida inteira, que acompanhará para todo sempre sua existência.
Mas afinal, isso é ruim?
Bem..., é! É ruim porque a sensação de "pertencer" será sempre capenga. estará à margem do real sentido de pertencer àquele local. No entanto isso não fará muita diferença prática, substancial na sua vida. Não porque as pessoas naturalmente criam seus próprios nichos, reúnem seus iguais e próximos, e no final das contas se o Imigrante tiver claro e bem resolvida esta questão em mente, conseguirá viver e ser absolutamente feliz no que diz respeito a esta questão especificamente.
Nestes países mais acostumados com a miscigenação racial, e o convívio com estrangeiros, aquele que vive há muitos anos em um determinado país terá sim livre acesso ao relacionamento e convívio com os locais de forma regular (obviamente guardando-se a inevitável condição dos preconceituosos e criminosos racistas, mas estes são criminosos comuns e são tratados como tal em países livres), mas com a população consciente de hoje, com o mundo globalizado de hoje, seguramente se o Imigrante respeitar as regras locais , as leis constituídas do país em que está vivendo, seguramente encontrará seu lugar.
Aqui entramos justamente no mais complexo problema da Imigração: "o respeito as regras locais"!
Resguardando-se impossibilidades de mudança, ou a mudança compulsória para um determinado país, onde a opinião do imigrante pode até ser absolutamente contrária a situação social, política, econômica do país onde está chegando. Sim "a opinião" pode ser, mas não as atitudes!
Refiro-me ao fato de que quando se Imigra para um país, normalmente você escolhe o país para onde está propondo-se a Imigrar. Você avalia o país, você estuda as questões sociais, políticas, e decide, em um primeiro momento unilateralmente, se é aquele ou não o país para onde pretende mudar-se. Tomada esta decisão, e não vamos aqui entrar em questões legais da imigração, e levada a termo a mudança, não há que se falar em infringir leis, regras, normas, condições sociais impostas pela população desse país. Todo país tem sua própria condição cultural, sistema político, e até religião mais popular, quando não "oficial". Esse conjunto de regras e condições é o que dá a cara deste país, faz com que ele seja o que é, e muito provavelmente faz dele aquilo que fez o Imigrante decidir mudar-se para lá. Então não é cabível que este Imigrante mude-se e queira alterar a alma, o cerne que faz daquele país o que ele é.
Temos visto em reportagens ao redor do mundo diversas rebeliões de Imigrantes exigindo que suas culturas sejam impostas àquelas sociedades, literalmente alterando a forma de ver e viver daquela gente que fez aquele determinado país ser o que é.
Eu particularmente tenho minha opinião quanto a religião, democracia, cultura, educação etc. Está clara minha postura em diversos artigos publicados, mas posso dizer que respeito absolutamente as formas de viver de todo e qualquer país. Sim, discordo de muitas coisas, mas não me dou ao luxo de dizer que deve ser imposto a esse ou aquele país passar a agir de forma diferente, principalmente no que diz respeito à cultura e religião. No entanto me posiciono absolutamente contrário, radicalmente avesso a qualquer Imigrante querer impor sua própria religião, cultura etc aos habitantes do país para onde Imigrou!
França por exemplo tem sofrido horrores com muçulmanos e sua forma de ver o mundo. O mundo muçulmano está errado? Não!! O mundo muçulmano legitimamente pode e deve seguir conforme suas convicções, mas lá nos países que eles mesmos construíram. Agora sair pelo mundo, escolhendo países completamente diferentes dos seus, para viver e querer impor a estes países e suas populações a sua forma de viver, também não está correto! Um exemplo simples é por exemplo a "obrigação" do uso da Burca. Em países ocidentais as mulheres tem outras liberdades, outra postura na sociedade, diferente daquela adotada em países muçulmanos. Quem está certo e quem está errado não vem ao caso e é impossível dizer! Não existe o certo ou o errado, mas existe a escolha de cada sociedade. Nas sociedades ocidentais de uma forma geral, não é admissível a imposição ao uso da Burca e isso tem que ser respeitado, em minha humilde opinião, assim como deve ser respeitado lá nos países muçulmanos este uso. Se alguém escolher viver lá, deverá respeitar aquela condição! Para um lado ou para o outro. Não é admissível a uma mulher ocidental mudar-se para um país muçulmano e achar que pode andar de cabelos ao vento... não pode! É a regra local!
Este á apenas um exemplo, dentro milhões de outros, sejam relativas a opção sexual, questões sanitárias, voto, idade, saúde, direitos individuais e muitas outras questões. O fato é que, se você decidir mudar-se para um país diferente do seu, DEVERÁ ADAPTAR-SE A 100% DAS REGRAS LOCAIS. Mesmo àquelas que você discorde peremptoriamente. Se não quiser fazer isso, não pode mudar-se para aquele país! Simples assim!
Aqui fala um candidato a Imigrante, que abriu mão de sua terra natal, com todos os direitos e deveres de um cidadão pleno, que ama política, e abrirá mão do direito de candidatar-se á Presidência da República por exemplo (caso quisesse), que é de direito somente do cidadão nato, assim como no Brasil. Mas muitas outras questões, regras, normas são diferentes e estou disposto a aderir a 100% destas diferenças a fim de ser aceito no meio desta sociedade.
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